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Assassinato do vereador de Funilândia, Hamilton Dias de Moura foi planejado por vereador de BH

A morte do vereador de Funilândia, na Região Central de Minas Gerais, Hamilton de Moura (MDB), foi cuidadosamente planejada, segundo inquérito policial concluído nesta sexta-feira (23). Ele foi executado em julho deste ano em Belo Horizonte. Segundo as investigações, o vereador de Belo Horizonte, Ronaldo Batista (PSC), é o mandante do crime. O inquérito de quase duas mil páginas traz detalhes da emboscada.Segundo a polícia, a rotina do sindicalista e vereador passou a ser acompanhada pelos suspeitos meses antes do assassinato.
Veículo onde o vereador Hamilton Dias de Moura foi assassinado em Belo Horizonte.

A investigação aponta que Hamilton vendia lotes na cidade e os executores do crime se apresentaram como interessados na compra. Em uma conversa pelo whatsapp, uma mulher, que se apresenta como Vanessa, pergunta, “gostaria de saber com o senhor se amanhã, na parte da manhã, posso dar uma passada por aí para dar uma olhada nos terrenos?”. Hamilton responde, “vocês poderão vir a hora que desejar”.

O suspeito de ser o mandante do assassinato, o vereador Ronaldo Batista (PSC), na delegacia de homicídios da Polícia Civil de MG. 

Um vídeo do dia seguinte mostra um dos homens apontados pela polícia como suspeito do crime indo ao local. Trata-se do policial militar Felipe Vicente de Oliveira.

“Essa mulher, em um primeiro momento, manifestava que queria tão só a aquisição do lote, mas no momento subsequente, começou a trocar mensagens de cunho pessoal, quase que seduzindo a vítima, numa tentativa de aproximação, marcou esse encontro”, disse a delegada Letícia Gamboge.

O encontro foi marcado na hora do almoço, em um lugar movimentado de Belo Horizonte, perto de uma estação de metrô na Região Oeste. Tudo pensado, segundo a polícia, para que a vítima não desconfiasse de nada. Só que a mulher não apareceu. O sindicalista foi executado com 12 tiros dentro do carro e o crime não chamou a atenção de ninguém.

De acordo com a polícia, os atiradores usaram um silenciador. Imagens mostram que depois que o vereador foi atingido, o carro dele se movimenta lentamente até bater na calçada. Os suspeitos fogem em seguida em alta velocidade neste carro.

O grupo de mando do crime tinha como figura principal o vereador de Belo Horizonte, Ronaldo Batista de Morais (PSC), e os irmãos, Gerson Geraldo Cesário e Antônio Carlos Cesário. O núcleo de execução tinha sete pessoas, três delas estiveram na cena do crime, Leandro Felix Viçoso, ex-policial penal, Felipe Vicente de Oliveira, policial militar, e Fernando Saliba Araújo.A motivação do crime, ainda segundo a polícia, envolve um desentendimento que começou há cerca de dez anos, quando Hamilton e Ronaldo, que faziam parte do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Belo Horizonte e Região passaram para lados opostos.

“Aproximadamente dez anos atrás, o autor e a vítima tinham uma aliança, uma aliança política e essa aliança foi rompida. W partir desse rompimento, a vítima passou a assumir comportamentos que causavam ora prejuízo financeiro ao autor, com a propositura de ações direta, e dez dias antes da morte da vítima, houve o desdobramento de uma das ações que eram patrocinadas direta e indiretamente pela vítima no bloqueio de R$500 mil em imóveis. A partir disso, então, segundo a colaboração premiada levantou, foi feito um pedido pra que a execução fosse acelerada, já havia meses que estavam sendo monitorados, que estavam sendo arquitetado esse plano e, a partir dessa condenação foi feito esse pedido, nós precisamos acelerar porque não dá mais pra suportar essa situação, disse o delegado Domênico Rocha.

Ele explicou que a colaboração premiada de um dos suspeitos foi essencial para o desfecho da investigação. O inquérito indiciou dez pessoas. Duas vão responder em liberdade. Sete estão presas, inclusive o vereador Ronaldo Batista, que foi para a cadeia no dia 15 de outubro.

Segundo a polícia, Gerson Geraldo Cezário está foragido. O advogado dele e do irmão, Antônio Cezário, garante que os clientes negam a participação no crime.

O filho e o irmão de Hamilton de Moura dizem que a família espera pela punição dos suspeitos.

“Não pelo fato de ser meu irmão, mas o histórico dele mesmo, como a própria investigação também mostrou, era uma pessoa incorruptível, haja visto que ele está no movimento sindical desde os anos 80, e morreu pobre. Morreu deixando um terreno que ele comprou na roça, que é terreno barato, uma caminhonete velha que ele deixou para os filhos, isso atuando desde os anos 80, com 18 anos, morreu brutalmente assassinado”, disse Samuel Dias de Moura.

 

A defesa do vereador Ronaldo Batista disse que o parlamentar foi injustamente envolvido nos fatos e que falta consistência nas investigações. A reportagem não conseguiu contato com os outros citados.

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