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HOSPITAL DE SETE LAGOAS NO VERMELHO: Funcionários do HNSG estão revoltados com salários em atraso

Com salários atrasados constantes, os mais de 800 funcionários do Hospital Nossa Senhora das Graças estão vivendo um verdadeiro caos. É assim que diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde e Estabelecimentos de Saúde em Minas (SINTRASAÚDE), Leonardo Fernandes, enxerga a situação dos servidores do hospital.

SOLUÇÃO SEM FIM – Em agosto do ano passado, houve protestos em frente ao hospital, onde funcionários pediam melhores condições de trabalho e pagamento de salários atrasados.

Dos 834 funcionários, cerca de 40 já pediram rescisão indireta através do sindicato, alegando atraso de pagamento. Segundo Leonardoernandes, não está descartada uma possível paralisação, o que será decidido em assembleia, ainda sem data marcada, aguardando decisão dos trabalhadores.

Ainda de acordo com Leonardo, diversas providências vêm sendo tomadas pelo sindicato com relação ao atraso nos pagamentos, que têm sido efetuados nos dias 25 a 30 de cada mês. “Além de não pagar até o 5º dia útil, a INSG (Irmandade Nossa Senhora das Graças, mantenedora do hospital) paga para alguns 50% e para outros 80% dos salários, um absurdo para os trabalhadores”.

O sindicalista diz que vêm sendo impetradas ações junto ao Ministério do Trabalho e Ministério Público contra o hospital, pois a instituição desconta o FGTS e INSS na folha e não repassa o valor à União, como determina a lei. “Temos solicitado ao Ministério Público uma Ação Civil Pública contra o hospital em Sete Lagoas para garantir os direitos dos trabalhadores. No caso de acordo judicial com os funcionários, o hospital também não tem cumprido”, denuncia Fernandes.

De acordo com os próprios funcionários do Hospital, els vêem enfrentando muitas dificuldades para manter as suas famílias. Com o atraso e pagamento parcial, fica comprometido o pagamento de contas e até mesmo a compra de alimentos. “Não tinha mais condições de trabalhar com todos os compromissos atrasados, prestação da casa, água, luz. Recebi o saldo do FGTS até 2015. Fizemos acordo judicial com previsão da primeira parcela em março e, até hoje, nada. Está bastante difícil, desabafa uma Técnica em enfermagem do hospital.

Segundo o diretor geral do HNSG, Cléber Amorim, informou que a instituição está fazendo o possível para cumprir os compromissos. “Estamos alinhando os valores até o pagamento de um percentual possível do salário, sem priorizar nenhuma classe de profissional. Estamos conseguindo, com a reprogramação de caixa, realizar o pagamento no mês de 86% da folha e mantendo um escalonamento de 14 % restante no mês seguinte”, explica o diretor.

“Toda esta situação foi agravada pelo não repasse de recursos do governo estadual, o que inviabilizou qualquer planejamento e correção. Optamos por garantir o pagamento do 13º integral de 2017 nos meses de janeiro e fevereiro”, disse Cléber. De acordo com dados repassados pela direção do hospital, o Estado deve à instituição cerca de R$ 3,3 milhões.

A prioridade da gestão é retornar a folha de pagamento ao 5º dia útil e manter regular o repasse médico mensal, “mas, para isso, é indispensável, dentre outras variáveis, a regularidade de pagamento do Governo do Estado, concluiu.

CONTA NO VERMELHO

O custo da operação hospitalar é maior que o valor recebido de custeio dos serviços, e quando essa verba não chega, a situação fica ainda mais difícil.
O HNSG mantém um déficit de fluxo de caixa na ordem de R$ 704.188,27 mensais, o que torna a operação inviável. Todavia, a instituição se mantém ainda em funcionamento graças às negociações junto a fornecedores, atrasos indesejáveis nos pagamentos de salários e repasses médicos.

Segundo a direção do Hospital Nossa Senhora das Graças, a cada mês a gestão fica mais difícil sem os repasses devidos do Estado. Para continuar atendendo a população de Sete Lagoas e de mais 35 municípios da região, a instituição precisou recorrer a empréstimos em 2017.
Isso amenizou o comprometimento do caixa, em média, em R$ 408.333 mensais, mas, por outro lado, piorou o resultado econômico da instituição diante do aumento do endividamento a longo prazo.

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