quarta-feira ,13 novembro 2019
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TRAGÉDIA DE MARIANA: 4 anos depois, nenhuma casa construída pela Fundação Renova

A Vale/Samarco promoveram o maior crime socioambiental da história do Brasil e um dos maiores do mundo. Causaram uma tragédia que matou 20 pessoas, ferindo dezenas de pessoas e destruindo várias residências com 1.600 desalojados. Desde a tragédia há quase 4 anos, a Fundação Renova não construiu nenhuma casa para os moradores que perderam tudo.

 

No dia 5 de novembro de 2015, o crime da Samarco/Vale/BHP Billiton, em Mariana (MG), completará quatro anos.

Eram aproximadamente 15h, quando a barragem do Fundão, se rompeu, despejando, direto no meio ambiente, 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração. Foi o maior crime socioambiental da história do Brasil e uma das maiores tragédias do mundo.

A lama tóxica, de forma avassaladora, foi destruindo tudo pelo caminho: vidas humanas, animais, casas, monumentos históricos do período colonial, ecossistema ao longo da bacia hidrográfica do rio Doce até sua foz, no litoral do Espírito Santo. Dezenove pessoas morreram.Trezentos sessenta e duas famílias tiveram suas moradias devastadas. Milhares de moradores ficaram sem  água potável, pois o rio Doce abastece muitos municípios de Minas e Espírito Santo.

Centenas perderam trabalho e fonte de renda, saúde, laços afetivos e espirituais.

Não bastasse tudo isso, Samarco, Vale e BHP Billiton, por meio da Fundação Renova, estão enrolando os atingidos. E o sofrimento e a insegurança perduram.

Criada pelas mineradoras e os governos de Minas e Espírito Santo, a Renova é a entidade responsável pela reparação de todos os danos provocados pelo rompimento da barragem do Fundão.

Só que, passados quatro anos, muitas pessoas afetadas pelo rompimento da barragem ainda não foram reconhecidas como atingidas também.

Reformaram algumas dezenas de casas, mas, até agora nenhuma foi construída nos reassentamentos coletivos.

Diante dessa violação permanente de direitos das pessoas afetadas, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) decidiu  construir uma casa, em mutirão, para uma das famílias atingidas.

Para viabilizar a construção, o MAB iniciou uma campanha de financiamento coletivo: catarse.me/opovoconstroi

Já diria Simone de Beauvoir, “basta uma crise política, econômica ou religiosa para que o direito das mulheres seja questionado”.

Com as mulheres atingidas por barragens essa realidade não é diferente.

Em toda a história do Movimento de Atingidos por Barragens – MAB, constatamos que as mulheres são as principais vítimas do modelo energético brasileiro e internacional. Os rompimentos das barragens de Fundão (2015), em Mariana, e do Córrego do Feijão (2018), em Brumadinho – ambas em Minas Gerais e de propriedade da mineradora Vale – são um forte exemplo do que estamos falando.

No caso de Mariana, o aumento da produção de minério foi uma das causas do que ficou conhecida como a maior tragédia socioambiental da história do Brasil – e que denunciamos como um crime; no caso de Brumadinho, a reincidência do crime, com perdas humanas sem precedentes, também teve sua origem na “necessidade” da empresa ampliar seus ganhos financeiros. Nos dois casos, a busca pelo lucro prevaleceu sobre a vida.

Começa com a destruição de seus territórios; depois com a negação do reconhecimento e participação das atingidas no processo de reparação; e finalmente, ficam as consequências dramáticas para o futuro de suas vidas: desestruturação familiar e violência.

Violência que gerou o assassinato de muitas de nossas companheiras de luta, como a hondurenha Berta Cárceres e a nossa querida Dilma Ferreira, no Pará.

Para além de se reconhecerem como sujeitas no processo de organização dos atingidos, as mulheres do Movimento dos Atingidos por Barragens passam a atuar também como defensoras dos Direitos Humanos.

Finalmente, será preciso extravasar nossas fronteiras e construir um bloco histórico de mulheres lutadoras ao redor do mundo, que esteja à frente da defesa da soberania dos nossos povos, da soberania dos nossos corpos, das democracias nos nossos países, e de um projeto popular no qual prevaleça a vida e não o lucro.

Neste contexto, mais de 300 mulheres atingidas por barragens se reúnem em Belo Horizonte entre os dias 25 e 26 de outubro para debater esses e outros temas relacionados às violações de direitos e, juntas, construírem um plano de ação e luta.

A família de Yolanda Gouveia, mãe de Júlia, Hellem e Marcelo, será beneficiada por uma casa construída em forma de mutirão pelos próprios atingidos, e será uma forma de devolver a essas pessoas a segurança e o conforto de seu lar, devastado pelo crime da Samaraco-Vale-BHP Billiton há quatro anos atrás.

A casa será viabilizada por meio de uma campanha de financiamento coletivo disponível em: catarse.me/opovoconstroi

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